Protocolo de Bueno na melhoria da triagem de paciente com preenchimento de prontuário

Recentemente, um amigo me pediu para fazer uma análise técnica em um software de saúde e, o que começou como uma curiosidade sobre a lógica do sistema, acabou se tornando uma reflexão profunda sobre o futuro do atendimento de urgência e emergência.

Quem frequenta hospitais conhece o fluxo tradicional, que muitas vezes é cansativo e burocrático:

Recepção (3-8 min): Coleta de dados cadastrais repetitivos, onde o foco administrativo muitas vezes supera a relevância clínica imediata.

Espera para Triagem (15+ min): O tempo ocioso aguardando ser chamado.

Classificação de Risco (2-5 min): A aplicação do clássico Protocolo de Manchester (as pulseiras coloridas).

É um processo que funciona, mas que clama por inovação. Foi aí que me deparei com o Protocolo Bueno.

Ao analisar o fluxo do módulo de triagem, notei uma abordagem diferente: a união do protocolo tradicional de classificação com Inteligência Artificial para o preenchimento do prontuário.

O Desafio do “Dr. House” Minha primeira reação foi cética. A frase icônica da série Dr. House veio à mente: “Todo mundo mente”. Como a tecnologia lidaria com a subjetividade humana? Se um paciente mentir ou exagerar nos sintomas para conseguir uma pulseira de cor vermelha (atendimento imediato), o sistema falharia? O atendimento demoraria mais?

Levei esses questionamentos ao dono do projeto e fui convidado a testar a ferramenta na prática. O resultado foi surpreendente.

A Experiência: Uma “Pré-Consulta” Inteligente A sensação ao usar o sistema foi de estar em uma pré-consulta guiada, e não apenas preenchendo um formulário:

Validação Cruzada: A IA percebeu nuances. Quando respondi sobre um sintoma e, mais à frente, tentei mudar o contexto, o sistema refez a pergunta de forma simplificada e diferente. Percebi que era uma verificação de redundância para identificar discrepâncias, “mentiras” ou confusões do paciente, descartando o que era irrelevante.

Humanização Digital: As perguntas não eram robóticas. O sistema investigava se a dor era “em queimação”, “formigamento”, “latejante” ou “pressão”. Detalhes que enriquecem o diagnóstico médico.

O Teste de Fogo: O Infarto Atípico Decidi simular cenários complexos baseados em literatura médica. O caso que mais me chamou a atenção foi o Infarto Atípico. Muitas vezes, pacientes chegam com náusea, queimação no estômago ou cansaço súbito. Em triagens rápidas e manuais, isso pode ser classificado como “Indisposição” (baixa prioridade), enquanto o paciente está, na verdade, infartando.

Neste cenário, a IA me conduziu a um fluxo visual impressionante:

  • Abriu um mapa anatômico;
  • Permitiu apontar visualmente o local exato, a intensidade e o tipo da dor;
  • Cruzou os dados e, corretamente, classificou como alta urgência.

Conclusão: Embora a ferramenta ainda esteja em fase Beta, com meses de testes e aperfeiçoamento da IA pela frente, o que vi foi um salto de qualidade. O Protocolo Bueno não serve apenas para dar uma “cor” ao paciente, mas para entregar ao médico um prontuário rico, validado e com informações clinicamente relevantes antes mesmo de ele olhar para o paciente.

É a tecnologia saindo da burocracia e atuando diretamente na melhoria do diagnóstico e na segurança do paciente.

Vamos debater nos comentários. 👇

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